País
"Plátanos centenários do Parque Natural Sintra-Cascais em risco" alertam Associações
O Grupo dos Amigos das Árvores de Sintra já pediu uma reunião urgente a várias entidades públicas para esclarecer os critérios adotados em recentes abates e podas de árvores no Parque Natural de Sintra-Cascais.
Fotografias: Finis Terrae - Associação para a defesa do Parque Natural Sintra-Cascais
Em causa estão intervenções realizadas em várias vias do Parque Natural Sintra-Cascais, incluindo a Estrada Nacional 9 (EN9), e caminhos florestais, justificadas como ações de defesa de pessoas e bens e de combate a espécies invasoras, lembra esta e outras Associações que falam mesmo de um ataque ao património natural e paisagístico.
O Grupo dos Amigos das Árvores de Sintra (GAAS) já solicitou uma "reunião urgente com a Infraestruturas de Portugal (IP), com a Câmara Municipal de Sintra, com o Instituto da Conservação da Natureza e das Florestas (ICNF), com o Parques de Sintra- Monte da Lua e com o responsável pelo Serviço de Proteção da Natureza e do Ambiente da GNR.
Uma das situações mais recentes aconteceu no final do ano passado, com a intervenção em dois plátanos centenários na Estrada Nacional 247 (EN247) que levou à contestação de ambientalistas e moradores que têm organizado piquetes de defesa dos plátanos entre o Vinagre e a ponte de Galamares.
Esta Associação coloca a possibilidade de pedir uma providência cautelar que abranja todos os plátanos ao longo da EN 247, acompanhada de um pedido à Câmara Municipal de Sintra para proceder à sua classificação, tal como já foi feito para algumas árvores junto à Adega Cooperativa de Colares.
Apesar de os dois plátanos não se situarem na área classificada património mundial, para esta Associação representam simbolicamente as árvores cortadas num sistemático e continuado "atentado ambiental e paisagístico que tem sido cometido" no Parque Natural de Sintra-Cascais (PNSC).
A Rádio pública pediu esclarecimentos à Infraestruturas de Portugal e esta entidade justificaeu que "o corte é para segurança dos utilizadores da via e informou que a decisão de proceder ao abate de dois plátanos de grande porte, numo passeio da EN247, junto a uma propriedade privada, teve como único objetivo garantir as condições de segurança dos utilizadores da via".
A intervenção, iniciada em 29 de dezembro, resulta de um processo acompanhado pela IP "há vários anos" e "a opção pelo abate, suportada por vistoria técnica prévia, só foi adotada após se ter verificado a inexistência de qualquer alternativa viável que assegurasse, simultaneamente, a preservação das árvores e a segurança da infraestrutura rodoviária e dos cidadãos".
A empresa considerou que apenas com a concretização da intervenção "será possível reconstruir em segurança o muro de vedação e de suporte de terras, repor as condições de segurança rodoviária e pedonal na EN247 e eliminar um obstáculo à circulação de peões, em particular daqueles com mobilidade reduzida".
A IP referiu que a zona, embora no PNSC, está em "área não abrangida por regime de proteção", não obrigando a parecer prévio do ICNF.